Você sabe bem.

03/22/2011

A individualidade sempre foi ponto crucial em nosso não-relacionamento. Você pode ir para qualquer lugar, mas eu sempre vou acabar indo para o lado oposto, é assim que eu ajo e finjo que tenho controle sobre a situação. Você sabe bem.

Encontrei meus amigos no bar duas ruas acima do lugar que costumamos ficar. Como eles adoram aquele lugar. Não vende a cerveja que eu mais gosto, mas adoro a música enferrujada que colocam ali. Ensaio umas risadas, termino com o que está na mesa e chamo o garçom. Não me lembro de muitas coisas na vida, mas sei que o nome dele é Julio. Eu nunca mais esqueci depois do dia que estávamos aqui e você me contou a história de seu gato que mantinha o mesmo nome, mas era ainda mais desengonçado. Ele sempre atende nossa mesa como se fosse a única no bar, dá toda atenção possível e volta e meia senta para contar causos daquele lugar tão mal freqüentado.

Traz algumas garrafas, espalha pela mesa, coloca uma a minha frente e se abaixa, como quem quer contar um segredo.
Desconfio. Eu sempre desconfio.
Tira do bolso um papel pardo mal dobrado e me entrega, dá uma piscada e vai embora, sorriso no canto da boca e olhar de soslaio. Isso nunca aconteceu antes.

Sabia que viria aqui hoje. Essa é sua cerveja preferida, não é? Aproveite.

Na mesa, a Budweiser aberta espera o momento certo para começar a fermentar. Sorrio. Eu sabia que você ia me surpreender de novo.