Sobre espontaneidade, traição e exigências.

08/02/2011

Existem algumas coisas nesse mundo que não deveriam ser cobradas em um relacionamento porque não fazem o menor sentido se não forem espontâneas. Para mim, exclusividade de parceiros é uma delas. Eu sou totalmente adepta da monogamia e, já tentei, mas não consegui viver em um relacionamento aberto. Só que não concordo com o modo que isso é mostrado e imposto nas relações.
Caso monogamia durante um relacionamento não fosse um pré requisito quase sempre obrigatório  – a palavra usada de modo errado aí é a fidelidade – os casais estariam muito mais preocupados em serem legais com o outro, procurando sempre deixar o parceiro satisfeito, feliz e entretido com o que tem ali, para que simplesmente não exista a vontade de envolver outras pessoas na soma. Quem está feliz e satisfeito não vai procurar outras pessoas, tanto num relacionamento exclusivo como em um relacionamento aberto. Fidelidade, usada dessa maneira, deveria ser algo que simplesmente acontece. Uma conseqüência. Não uma obrigação, uma cobrança. Isso faria com que as pessoas se esforçassem muito mais para manter aquele relacionamento uma coisa completa para ambos, e não por simples regras impostas por aí e que tomamos como certas.

Outra coisa é a preocupação. Se você cobrar quem você está para que ela se preocupe com seus sentimentos, pensamentos e idéias, isso não será orgânico. Logo, ela não vai estar realmente preocupada. Isso é um resultado óbvio, mas que é muito difícil de enxergar quando você quer que a pessoa se importe da mesma maneira que você. Se importar com o outro é uma coisa básica que deveria estar apenas embutida no relacionamento como um acontecimento natural, não uma exigência.
Se a pessoa não se importa, o amor não existe. Pode ser doloroso, mas é simples. Você não vai conseguir criar um sentimento pelo simples fato de estar cobrando atitudes que fazem parte dele. É muito difícil conseguir separar o que você recebe dos outros: Não sabemos mais se é o que a pessoa realmente quer te dar ou se  está recebendo porque a pessoa acaba se sentindo obrigada a tal.

Às vezes parece que ficamos tão cegos esperando atitudes que não dá nem tempo para parar e raciocinar: Isso não deveria acontecer naturalmente?
E isso responderia uma série de questões que criamos em cima dessa pessoa, caso não estivessemos apenas buscando uma maneira de mostrar para ela que dá sim para demonstrar mais. Demonstrar, às vezes, uma coisa que sequer existe, mas que você – e muitas vezes ela – cisma em acreditar.
Essa é uma das grandes merdas de existir tantas regras inventadas por aí para se relacionar com os outros.