O tal do in-between

08/08/2013

Eu não sei se é porque a vida anda realmente uma zona com tantas informações na internet, junto com o medo de não conseguir consumir tudo que quero, os livros que estão parados na estante, as músicas que eu ainda não escutei e os textos que eu tenho para ler nas minhas abas do navegador ou se é simplesmente mais uma daquelas crises de vinte e poucos anos que vocês não param de falar no Facebook.

Os meus sonhos pré adolescentes tomaram forma quando eu comecei a trabalhar e ver que realmente posso realizar o que eu desejo. É meio bizarro como uma rotina que talvez você nem goste tanto possa te dar a chance de viver os melhores momentos da sua vida.  Antes meus sonhos eram abstratos e viviam em murais cheios de inspirações e vontades para o futuro, hoje eles vivem num bolo de informações colados com post-its no meu cérebro para que eu respire fundo olhando para eles nos momentos de desespero.

São misturas de sonhos adolescentes usando filtros do Instagram mesclados na rotina de trabalho e vida real de um adulto.  Os sonhos chegam cada vez mais perto enquanto o dia a dia tenta engoli-los do outro lado, tentando cuspir a realidade – nem tão fiel assim – na minha cara dizendo que eu preciso parar de idealizar a vida como uma garotinha. É mais ou menos essa a mistura de sentimentos que vivem na minha cabeça.

A mistura do pensamento positivo com o negativo que senta em cada canto dos meus ombros e passa os dias discutindo Proust ao mesmo tempo que fazem planos para o futuro e brigam sem parar enquanto eu tento trabalhar. Os fones nunca cessam as vozes, mas pelo menos dão ritmo ao discurso cada hora pesando para um lado da história.

Hoje eu vivo o que muita gente  chama de “in-between”. Eu já realizei muitos sonhos, mas ainda tenho que correr atrás para realizar outros que surgem a toda hora, a cada noite, a cada leitura, a cada conversa. A vida é um desejo sem fim.
É engraçado que quando você sonha acordado, coloca os dois pés na adolescência para encher essa vontade de cores com cara de Tumblr, gifs animados e rabiscos de monstrinhos nas fotos que você ainda nem tirou. Aí abre os olhos e lembra da lista de tarefas que acumula a cada hora do dia.

E realizar sonhos dá medo. Correr atrás dos sonhos dá medo. Saber que aquilo tudo depende exclusivamente de você dá medo. Medo de esquecer algum papel e tudo isso desmoronar na sua cabeça. A gente é jogado na vida adulta já equilibrando pratos, sem saber direito onde está se enfiando, mas continua andando mesmo assim. E é desse jeito que vivemos os nossos 20 e poucos anos, enrolados no meio a contas, perguntas e sonhos.
Contas a pagar, perguntas a fazer e sonhos a realizar.