Escolhendo as raízes

06/19/2012

A sensação maravilhosa de liberdade que vai me dar quando eu entrar naquele avião é proporcional ao aperto no coração de deixar a minha vida parada por aqui. É engraçado como você muda de país e sua vida não vai com você, ela fica aqui te esperando, intacta. É a família, os amigos, contatos, trabalhos, lugares, festas que eu vou perder, tudo num só saco que fica aqui, fechado, junto com a porta do meu quarto.

Chegar em um país novo e me tornar o que eu quiser é uma das melhores coisas do mundo, já que eu posso começar do zero milhares de vezes no lugar que eu quiser, sem ninguém para me julgar ou duvidar da minha mudança de personalidade. São países novos e pessoas diferentes, porque eu deveria continuar igual? Existem tantos jeitos de ser por aí, esperando para serem testados, tantos grupos de amigos, baladas, gostos, estilos de vida, religiões, profissões…por que vou ficar na mesma? Além do mais, eu sei que minha vida está lá, ao lado dos meus bichinhos de pelúcia e dos meus livros de faculdade, esperando para ser reaberta quando eu pisar “em casa”. Opa, o que é casa agora?

É engraçado como podemos deixar as raízes em algum lugar para pegar um pedacinho de terra de cada coisa nova que encontramos. Quando você volta, sempre precisa jogar alguns velhos hábitos pela janela, já que eles não condizem mais com seus novos ideais. Você sai tão crente que tudo que você precisa está na sua vida cotidiana, e volta com a certeza que poucas coisas ali realmente faziam sentido.
Tantas coisas na nossa vida acabam tomando proporções enormes sem nem sequer termos um bom motivo para isso, e o tempo longe ajuda a pensar e dar valor para o que realmente vale. E isso acaba mostrando quem você é de verdade, não o que os outros querem que você seja.

As raízes que realmente preciso, levo comigo. As outras podem ficar guardadas em sacos fechados, ao lado de cada lugar que passei.