E não escrevo nada.

02/14/2013

O vazio do bloco de notas me intimida. Não consigo ficar sem escrever, mas não sento aqui faz meses. A digitação mental sobre temas que eu gostaria de escrever ficam só na minha cabeça e nunca saem do meu papel imaginário, que não molha no banho e não mostra a letra torta no balanço do metrô. Escrevo na minha mente, nas reuniões, nos intervalos do trabalho e no caminho de casa. Escrevo, e não escrevo nada.

Escrevo para mim mesma dentro da minha própria cabeça. Tenho uma biblioteca com centenas de livros prontos para a editora do mundo em que vivo. Escrevo para todos os personagens que aqui vivem e também sobre eles, vivendo suas vidas como se não soubessem que foram criados da mente de uma garota de 22 anos. Vivem suas vidas, encontram amores, transformam relacionamentos em desastres e não se incomodam com a falta de linearidade dos caminhos que tomam.

Acho que eles tem um pouco de todos nós. Esse é o mal do século, me disseram uma vez. Todos tem tanto a dizer que ninguém consegue organizar os próprios pensamentos dentro da cabeça e transforma-los em frases que façam sentido. É tanto a dizer que escrevemos em pergaminhos, folhas de papel, cadernos de propaganda, beiradas de livros, documentos no computador, facebook, twitter, tudo que podemos compartilhar palavras e… não dizemos nada.